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domingo, 18 de julho de 2010

Dono de Estaleiro em Biguaçu financiou campanha de Lula e anuncia R$ 1 milhão para campanhas de Dilma e Serra

O mega-empresário Eike Batista, que pretende construir um estaleiro na cidade de Biguaçu, na Grande Florianópolis, doou 1 milhão de reais para a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Além disso, o empresário já anunciou que dará mais R$ 1 milhão para as campanhas de Dilma Roussef (PT) e José Serra (PSDB). A informação é do colunista Lauro Jardim, da revista Veja.

Como se não bastasse, a empresa EBX, também de propriedade de Eike Batista, foi uma das principais financiadoras do filme Lula, o filho do Brasil, que conta a história de vida do presidente da república e estreou nos cinemas em 2010, ano eleitoral. Eike também pretende financiar diversos candidatos a governador, deputado federal e senadores.

Talvez tanta “generosidade” por parte de Eike Batista seja o motivo do aparente “consenso” na instalação do estaleiro em Biguaçu. Contrariando o parecer do Instituto Chico Mendes para a preservação da Biodiversidade (ICMBio), a candidata do PT Ideli Salvatti tem defendido a instalação do estaleiro, chegando a anunciar que “cabeças vão rolar” no órgão, por conta do parecer contrário. De outro lado, o governador Leonel Pavan (PSDB) também defende o empreendimento.

Até o momento, o candidato do PSOL ao governo de Santa Catarina, Professor Valmir Martins, foi o único que se pronunciou contrário a instalação do estaleiro. “Não tem saída técnica para o estaleiro em Biguaçu”, afirma o candidato.

Danos irreversíveis e extinção de espécies

Segundo o estudo promovido pelo instituto, a construção do estaleiro irá impactar em três reservas ambientais na baía norte: Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Estação Ecológica de Carijós.

“Após criteriosa análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental, observou-se que o mesmo identifica uma série de conseqüências irreversíveis e não mitigáveis a estas unidades e a seus objetivos”, afirma o ICMBio, em nota divulgada à imprensa. O órgão ainda alerta as autoridades para “a enorme possibilidade de permanente contaminação biológica” das reservas. “O empreendimento na alternativa locacional proposta torna-se totalmente incompatível com a existência dessas unidades de conservação [ambiental]”, concluí.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Valmir Martins enfrenta candidatos em debate da CBN Diário

















O candidato do PSOL ao governo de Santa Catarina, Professor Valmir Martins, participou na manhã desta sexta-feira de um debate entre os candidatos a governador promovido pelo grupo RBS. O evento foi transmitido pela Rádio CBN, pela TV COM e pelo portal ClicRBS.

Logo no primeiro bloco, Valmir Martins foi questionado por Raimundo Colombo (DEM) se faria grandes obras viárias para melhorar o acesso à capital Florianópolis. O socialista destacou que as grandes obras acabam beneficiando a cultura do automóvel e criam o “estrangulamento das cidades”.

Na sequencia, o candidato questionou Ideli Salvatti (PT) sobre a polêmica do Estaleiro que o megaempresário Eike Batista quer construir em Biguaçu. Ideli, que se posicionou favorável ao empreendimento, desconversou sobre os graves impactos ambientais que a obra pode causar. “Não existe nada que seja feito que não cause impacto ambiental”, afirmou.

Professor Valmir contrapôs a senadora, e citou estudos da Universidade Federal de Santa Catarina e do Instituto Chico Mendes que garantem que a obra é inviável. “Não tem saída técnica para o estaleiro em Biguaçu”, afirmou.

No segundo bloco, Raimundo Colombo questionou o candidato do PSOL sobre qual a política para o transporte. Valmir reiterou que o governo do estado deve oferecer transporte de massas a preços acessíveis, além de ouvir os movimentos sociais para elaborar as políticas de mobilidade urbana. “A questão da mobilidade não pode ser tratada como caso de polícia, como vem fazendo o atual governador Leonel Pavan”, afirmou, referindo-se a repressão policial contra os estudantes que se organizaram contra o aumento das tarifas em Florianópolis.

Em seguida, Valmir questionou Ideli Salvatti sobre suas propostas para saúde. A candidata falou das deficiências do sistema no estado, mas não apresentou propostas concretas. O candidato do PSOL propôs a aplicação plena do SUS, com mais recursos para a saúde e contra a terceirização do serviço, como ocorre no atual governo.

No terceiro bloco, Angela Amin e Valmir Martins debateram segurança pública. “A nossa sociedade é uma sociedade que constrói a violência. De um lado, concentra riqueza e a renda, e de outro, produz a pobreza, a fome e a miséria”.

O candidato do PSOL defendeu ainda a execução integral da Lei 254, aprovada pelo governo LHS e nunca cumprida. A lei prevê a proporcionalidade dos salários dos trabalhadores da segurança pública. Para Valmir, “o candidato que doz que vai resolver a segurança está mentindo, e mentindo desavergonhadamente”.

No último bloco, Valmir constrangeu o candidato do DEM ao questioná-lo sobre as secretarias regionais em Santa Catarina. “O sr. era um grande crítico das secretarias regionais por serem verdadeiros cabides de emprego. A sua adminsitração manterá as regionais?” Colombo afirmou que o projeto de descentralização de LHS era “inovador” e que “precisa ser aperfeiçoado”. Já o candidato do PSOL se comprometeu em fechar as regionais e criar estruturas de participação popular descentralizadas.

Para o candidato, a avaliação do debate foi positiva. “Todos vieram com um rosário de promessas que não poderão cumprir. Nós seguimos na campanha com pé no chão e olhar no horizonte”, concluiu.